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| Cidade
por: Melissa Louçan
 
[23h:47min] 03/10/2013 - Luto
A fé, em meio à dor e tristeza
“Ela é nosso anjo”. Assim, Marciane Fischer, 29 anos, definiu a filha, Maria Eduarda, 12 anos, morta em um incêndio na madrugada do último domingo.
 
ANTÔNIO ROCHA
O fogo destruiu a residência e fez vítimas, mas poupou a Blíblia
 

Entretanto, em meio a tanta dor e pesar, a família achou um consolo, vindo diretamente das cinzas da casa: a bíblia da pequena Duda, como era chamada, foi o único objeto que sobreviveu às chamas que consumiram a residência em pouco mais de 15 minutos.
Eduarda era muito religiosa e sempre acendia uma vela para orar e pedir proteção para a família antes de dormir. No dia da fatalidade não foi diferente. Após dar banho nas duas irmãs, Maria Helena, dois anos, e Maria Valentina, cinco meses, a menina orou e deixou a bíblia em uma pequena mesa e ali permaneceu, resistindo às chamas, apoiada nas vigas de fundação da casa, que sucumbiram ao calor. Mas as páginas resistiram.
Ao clarear o dia, uma amiga da família, Jocimeri Portes de Oliveira, que havia ido até o local prestar solidariedade à família, encontrou o livro. Jocimeri entregou o objeto à irmã, Jociane, que interpretou o ocorrido como um sinal de fé e uma resposta de Deus a tal situação. “Quando eu vi o que tinha acontecido, entrei em choque. Estava tudo queimado, vidro e ferro derreteram, não tinha nada inteiro. Só sobrou a bíblia que a minha irmã encontrou”, conta.
Jociane entregou à mãe durante o velório da criança. Entre as páginas chamuscadas pelo fogo, apenas uma mensagem ficou evidente, um trecho do Capítulo I de Carta a Tito. “Paulo, servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo para levar os escolhidos de Deus à fé e ao conhecimento daquela verdade que se conduz à piedade e se fundamenta sobre a esperança da vida eterna. Deus, que não mente, nos prometeu essa vida antes dos tempos eternos, e no tempo certo a manifestou com sua palavra, através da pregação que foi confiada a mim por ordem de Deus, nosso Salvador. A você, Tito, meu verdadeiro filho na fé comum, graça e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador”.
O trecho foi lido em voz alta durante o velório por um amigo da família, Walter Gomes, também conhecido como Tito. A bíblia foi enterrada junto à Maria Eduarda por decisão da mãe, que viu na mensagem que resistiu ao fogo um pequeno consolo. “Isso é a única coisa que está me fazendo entender um pouco mais essa situação. Entendi que a passagem dela pela terra era curta, ela veio apenas para fazer o bem e unir as pessoas”, relata, emocionada.
Apesar de vir de família católica, Marciane conta que nunca impôs a religião à filha, mas que Maria Eduarda sempre gostou de rezar. Agora, acredita que o legado que a filha deixou é de bondade e fé. “Ela era uma criança maravilhosa, e até no momento da morte ela uniu a família. Hoje, mais do que nunca, vamos precisar nos apoiar na fé para superar o que aconteceu”, afirma.
Com a pequena Maria Valentina no colo, Marciane faz um apelo a todos os pais. “Eu quero dizer para todas as mães e pais que não deixem de abraçar e darem carinho aos filhos sempre que puderem. Hoje uma parte de mim morreu, sabendo que nunca mais vou ver a minha menina e dizer o quanto a amo”, desabafa.


A rede de solidariedade que se criou após a tragédia conseguiu garantir algum conforto material para a família. A casa era de um tio de Marciane, que também perdeu tudo durante o incêndio. Roupas, móveis e alimentos não param de chegar à casa da mãe de Marciane, onde a família está provisoriamente instalada.
Contudo, a família solicita mais um momento de solidariedade. O marido de Marciane e pai de Duda, Ivan Sotilli, conhecido por Chico, que teve cerca de 70% do corpo queimado ao tentar salvar a filha das chamas, está internado em estado grave no Hospital Conceição, em Porto Alegre, na ala de queimados. Entretanto, Sotilli perdeu muito sangue durante o processo de raspagem e necessita de reposição de sangue. “Se alguém tiver um familiar ou amigo em Porto Alegre, por favor, peça que ele doe sangue no hospital para repor o estoque. Qualquer tipo sanguíneo é aceito”, diz Marciane.
Agora, os amigos buscam meios para tentar amenizar a dor da família e garantir um lar. Amiga de longa data de Marciane, Jociane iniciou uma corrente de solidariedade e está angariando recursos para garantir a construção da casa. Interessados podem depositar qualquer quantia na C/C 0005190-2, agência 4.715-5, variação 51, Banco do Brasil.
 
 

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